Um ciclista e poucos pedestres circulavam ontem, durante o dia, na Mogi-Bertioga. A via, interditada desde a manhã desta quarta-feira, provavelmente será motivo de insegurança aos motoristas que por ela trafegarem após a liberação, ainda sem data para acontecer. Com acordo firmado com o consórcio Regea-Pangea-Nipon, um estudo será realizado na rodovia, a fim de mapear riscos relacionados a desastres naturais. Entretanto, o engenheiro e diretor técnico do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Deni Loretti Filho, afirma que mesmo com estes dados em mãos fica difícil prever novos deslizamentos no local. Na entrevista a seguir, Loretti Filho fala sobre os últimos acontecimentos na SP-98:
Após a liberação da pista, quais são os procedimentos que o DER deve adotar? Levando em consideração esse histórico de deslizamentos.
Há muitas obras que a gente faz e implanta e os usuários nem percebem, porque se formos analisar, todos os dias têm uma equipe trabalhando por aqui. Então, esse trabalho preventivo já é feito. Agora, além disso, o DER já contratou uma empresa que vai fazer um trabalho de monitoramento global, não só desta rodovia, mas de todas as estradas que têm trecho em serra para o Litoral. Seria um serviço bem mais amplo, com estudo geológico, vendo qual o tipo de solo de cada estrada, para tentar fazer um trabalho mais a longo prazo no sentido de antever eventuais situações.
Por conta desse histórico e da recente queda, havia a previsão desse estudo começar nos próximos meses. Vocês estão pensando em antecipar ou agilizar este trabalho?
A empresa já foi acionada para que comece a fazer vistoria inclusive a partir deste ponto deste deslizamento de agora. Então, também haverá um laudo técnico por parte deles. Acredito que será algo de imediato, que deve ser feito até amanhã (hoje).
A partir destes estudos, dá para começar a tomar algumas providências que evitem outros deslizamentos?
A dificuldade se dá pelo tipo de solo. Então, se você olhar aqui do lado e ver a mata, por exemplo, ela é fechada, onde não é possível detectar nenhum problema, você não vê um deslizamento ou uma trinca. Às vezes, não se vê nenhum veio d’água aparecendo. Muitas vezes você está trabalhando e monitorando um local porque detectou algum problema e acaba escorregando algo a 200 metros, 20 metros, 50 metros de distância. Desta forma, é quase impossível a gente conseguir antever estes problemas.
O consórcio que foi contratado vai apontar possíveis problemas. Ele pode também indicar possíveis soluções? No caso da Mogi-Bertioga, por exemplo, se há a necessidade de fazer outras pistas?
Não, eu acredito que aí não. O trabalho é mais com relação a este problema do tipo de solo, com estas questões de deslizamento. Mas não tem a ver com estudos de duplicação.
Se é difícil prever o problema e sabe-se que poderiam ter vítimas nos últimos deslizamentos, estes são motivos para que seja feita uma obra em toda a extensão da via?
Infelizmente qualquer acidente pode ser fatal, inclusive, um deslizamento pode vir a causar uma vítima fatal. Esta é uma grande preocupação nossa, com certeza. Mas existem vários estudos que já nos levaram à implantação destes muros de espera, independentemente de ter ocorrido algo. Se você passar na rodovia, vai ver vários pontos onde já há muros, mas que não existe nenhuma cicatriz, não tem nada. Isso é porque houve algum problema que foi detectado neste local. Então, desde cortinas atirantadas, muros de espera, essas medidas são provenientes de um trabalho que o DER já vem fazendo. Agora você pensar em implantar um muro na estrada inteira é um investimento que não se justifica tecnicamente, porque os problemas aqui não acontecem todos os dias. Tivemos problemas em 2009, 2015, um ou outro acontece, mas não é um problema que demande, que fale ‘a estrada tem que ser reconstruída’, não é o caso aqui.
Contando todas essas intervenções que já foram feitas este ano, quanto o DER teve de investir em manutenções?
Acredito que nestes últimos problemas que aconteceram, há um investimento da ordem de R$ 4 milhões ao total. Levando em consideração o que nós já fizemos e o que nós ainda pretendemos fazer.
Vereadores buscam alternativas
Em busca de soluções para os constantes deslizamentos que vêm acontecendo este ano na Mogi-Bertioga, representantes da Comissão Especial de Vereadores (CEV) destinada à SP-98 foram na manhã de ontem ao km 89 da rodovia, interditado após o desprendimento de terras pedras e árvores, registrado na última quarta-feira. No local estiveram José Francimário Macedo (PR), o Farofa, Caio Cunha (PV) e Diego Amorim (MDB), que pedem uma reunião com responsáveis do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), na Câmara Municipal. Integram ainda a Comissão os parlamentares Antonio Lino da Silva (PSD) e Mauro Margarido (PSDB).
Farofa, que preside a CEV, explicou que a reunião foi solicitada pelo deputado estadual Marcos Damásio (PR) e deve acontecer na próxima terça-feira, às 11 horas. A ideia é que junto a outros políticos, até mesmo com representantes de Bertioga, as ações necessárias sejam discutidas. “O fechamento da estrada traz muitos prejuízos, principalmente para quem mantém comércios nela, que deverão ter nesses dias cerca de 30% de prejuízo no movimento”, comentou o vereador.
Diego acredita que esta união política é fundamental para que o problema seja resolvido em definitivo. “Aqui está claro que existe sim um risco eminente e a qualquer momento pode acontecer uma tragédia. A gente deu sorte, foram quase 10 deslizamentos e ninguém foi atingido por uma pedra. É preciso fazer uma força tarefa entre todos os partidos e deputados da Região, porque você vê que há a necessidade de uma obra absurda aqui, que precisa ser bem feita. Não adianta ficar aqui enxugando gelo”, enfatizou.
O representante do PV também alertou para os riscos da rodovia. “Não tem como a causa ser apontada em um lugar específico, então, na verdade o que acaba acontecendo é sempre tratar a consequência, que tem como um transtorno mínimo o fato da via ser interrompida. Mas pode ser bem pior, porque existe a possibilidade de novos deslizamentos e as pessoas podem correr riscos”, complementou Cunha.
Fonte Diário de Mogi











































