Há algum tempo venho pensando na cidade enquanto lugar de identidade. Passei a maior parte da vida vivendo na cidade de Guarulhos, mas não sinto que faço parte dela. Percebo que muitos não conhecem a cidade onde nasceram, esse sentimento de pertencer vem ao encontro com as nossas memórias e, por conseguinte o contexto histórico do local. E quando você faz parte de um grupo minoritário, enquanto representação política, a sua história tende a ser apagada, invisibilizada. Essa falta de pertencimento se dá muitas vezes pelo fato de não se reconhecer enquanto coletivo. De acordo com o IBGE (2010), a cidade de Guarulhos é a segunda mais populosa do Estado de São Paulo, é estranho observar que não vemos essa pluralidade nos espaços públicos. Trago algumas reflexões para pensar na história e enxergar a cidade como uma ocupação.
Quais memórias foram apagadas pelo tempo, quem foram as pessoas LGBTQIA+ que batalharam para que pudéssemos ter o mínimo de politicas públicas com relação a gênero e sexualidade na nossa cidade. A invisibilidade nos causa muitos problemas, dentre eles o não reconhecimento da nossa dignidade perante a sociedade, violação de direitos fundamentais, e a falta de políticas públicas. É importante que nossos governantes façam projetos no âmbito da diversidade e atendem nossas necessidades, e nós sociedade civil devemos cobrar/ pressionar para que esses projetos saiam do papel. Vamos apoiar as iniciativas que já existem como coletivos, empreendimentos de pessoas LGBTQIA+ e as empresas que apoiam a causa.
Na Pandemia as populações vulneráveis sofrem mais com a violação de direitos humanos, no caso das pessoas Trans é ainda mais complicado, visto que sofrem maior preconceito na nossa sociedade. Essa população tem dificuldade ao acesso à saúde e com a COVID, muitos atendimentos como o tratamento de terapia hormonal foram suspensos. Além disso, o impacto para as profissionais do sexo foi ainda maior, visto que a exposição ao vírus é inevitável, outro problema apresentado é a falta de abrigos LGBTQ na cidade. Se não há renda, para onde vão essas pessoas? Nós enquanto sociedade, devemos respeitar, dar o direito de existir e criar novas oportunidades, como estudo e emprego. É importante questionarmos nossos próprios preconceitos. Você contrataria uma travesti para cuidar do seu filho? Se a resposta for não, questione o porquê deste incomodo.
A identidade de gênero e orientação sexual não interfere ao exercício da função. Pelo contrário, só tem a agregar, um ambiente diverso é mais rico em vivências e conhecimento, das quais são ferramentas importantes para a inovação, ainda mais em um ambiente extremamente competitivo como é o mundo corporativo.
Gostaria de gerar uma empatia para aqueles que desconhecem a nossa realidade, somente com a informação nós podemos criar uma conscientização e uma sociedade acolhedora para todos, independente da raça, identidade, orientação e religião. Respeitar a dignidade humana deveria ser um principio partilhado por todos nós.
AUTORA: YASMIM SOLA










































