Na noite desta segunda-feira(22), a Prefeitura de Guarulhos surpreendeu a população ao declarar DESCONHECIMENTO acerca das graves denúncias divulgadas pelo SIMESP(Sindicato dos Médicos de SP) a respeito das condições degradantes do Hospital Pimentas Bonsucesso e do pedido de demissão em massa de 90% dos médicos que atendem na unidade de saúde.
CONFIRA A DENÚNCIA: Situação gravíssima em Guarulhos: Hospital Pimentas funciona sem medicamentos básicos e ficará sem 62,5% dos médicos preceptores a partir de março
A RESPOSTA
Sem pestanejar, a Prefeitura de Gustavo Henriq Costa(PSD), reeleito em 2020 para administrar Guarulhos por mais quatro anos, respondeu:
“A Secretaria de Saúde não foi informada oficialmente sobre as denúncias da nota do Sindicato. Também desconhece que o Sindicato tenha formalizado as denúncias em algum órgão competente. A Secretaria trabalha para garantir o melhor atendimento possível no Hospital, não permitindo que a população fique desassistida. Existe um contrato em vigor com o IDGT, que neste momento responde pela operação daquela unidade hospitalar.”
O NEGACIONISMO SEM LIMITES DA “NOVA POLÍTICA” DE GUTI E SEUS VEREADORES
A resposta da Prefeitura deixou à todos os guarulhenses perplexos, não só pelo fato das denúncias serem de conhecimento público há bastante tempo, mas pelo comportamento do Prefeito Guti que, ao invés de liderar imediata fiscalização no Hospital Pimentas juntamente com seu Secretário de Saúde, Dr. José Mário Stranghetti, para verificar tão graves denúncias, preferiu “partir” para Brasília na manhã desta terça-feira(23), e mais uma vez, registrar fotos nas redes sociais sobre reuniões das quais estaria participando com membros do Governo Federal sob a alegação de solicitar recursos…vejam só…para a saúde da cidade.



Adicionalmente, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Geraldo Celestino(PSC), não se fez de rogado e correu na rede social não só para endossar a pífia resposta da Prefeitura como também declarou que, tanto ele quanto a Câmara Municipal de Guarulhos também não tinham ciência sobre o fato e atribuiu as denúncias do SIMESP à uma “estratégia política” do Sindicato dos Médicos de SP.
A Comissão de Saúde da Câmara de Guarulhos é formada pelos vereadores: Geraldo Celestino(PSC), Carlinda Tinoco(REPUBLICANOS) e Alexandre Dentista(PSD, o qual não foi eleito mas ficou no lugar de Thiago Surfista que levou 7.855 votos para ser Secretário do Meio Ambiente.
AGENDOU REUNIÃO AO INVÉS DE IR FISCALIZAR? Em resposta ao questionamento do G7NEWS, enviado ainda na noite de segunda-feira(22), à Câmara Municipal de Guarulhos sobre quais providências seriam tomadas pela Comissão de Saúde em relação às graves denúncias do SIMESP, recebemos a seguinte resposta enviada às 16:30hrs desta terça-feira(23) à nossa redação:

“A Comissão Permanente de Higiene e Saúde Pública (CPHSP) informou que, mediante as denúncias do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) sobre a situação do Hospital Pimentas Bonsucesso, agendou reunião com a Diretoria Clínica do referido Hospital para verificação das informações divulgadas.
Comissão Permanente de Higiene e Saúde Pública
Geraldo Celestino -Presidente
Carlinda Tinoco – Secretária
Alexandre Dentista – MembroAtenciosamente,
—
Assessoria de Imprensa”
A REALIDADE DO HOSPITAL PIMENTAS BONSUCESSO
Em entrevista ao Jornal Monotrilho, o Presidente do SIMESP(Sindicato dos Médicos de SP), Augusto Ribeiro, esclareceu a REAL situação do Hospital Pimentas Bonsucesso:
JM: Há quanto tempo existe a falta de medicamentos no Hospital Pimentas?
Augusto Ribeiro: Há um ano, desde quando a IDGT assumiu a direção do hospital, com períodos mais críticos, como dezembro 2020, janeiro e fevereiro de 2021.
JM: Quais são os outros problemas que tornam inviável a atuação dos médicos e residentes?
Augusto Ribeiro: Em um cenário de residência médica é necessário que se tenha experiências (contato com pacientes), assistência e infraestrutura e recursos humanos e técnicos. No atual momento, há muitas experiências porém não podem ser bem aproveitadas por falta de assistência aos médicos residentes, pois a partir de março o hospital não contará mais com 90% de seu corpo clínico que pediu demissão pela falta de recursos para se trabalhar no hospital.
JM: O que o senhor pode nos dizer sobre o pagamento dos salários dos profissionais, estão em dia?
Augusto Ribeiro: Os salários estão atrasados (para os plantonistas da UTI estão atrasados em 60 dias, recebendo em parcelas – dezembro foi pago em final de fevereiro). O salário dos médicos assistentes foi reduzido assim como de diversos outros profissionais a partir da entrada da IDGT.
JM: O senhor pode informar quais são os medicamentos que estão em falta e que com isso, poderiam ter contribuído para a morte dos cinco pacientes?
Augusto Ribeiro: Medicamentos em falta que causaram morte dos pacientes: alteplase (trombolítico), ganciclovir (um paciente morreu sem e outro esperou internado por mais de 30 dias), furosemida endovenosa, propofol, midazolan, cisatracurio, rocuronio, bactrim endovenoso, vancomicina, tazocin, amiodarona endovenosa.
JM: Em relação à falta de médicos psiquiatras, qual é a alegação por parte da Prefeitura de Guarulhos e da empresa gestora do hospital?
Augusto Ribeiro: Não nos foi repassado nenhuma resposta por parte da IDGT sobre o pronto atendimento de psiquiatria (referência) sem psiquiatra. Somente nos foi imposto que a partir da segunda metade de dezembro os residentes evoluíssem os pacientes internados com diagnostico psiquiátrico na observação psiquiátrica.
JM: Há quanto tempo o tomógrafo não funciona? Qual é a causa? Deram previsão para solução?
Augusto Ribeiro: O tomógrafo está sem funcionar desde 15 de janeiro de 2021, sem previsão de conserto. Não nos informam qual é o problema, somente falam de forma inespecífica que falta uma peça. Sem nenhuma previsão.
JM: Qual o motivo da restrição de horário do atendimento no setor de Radiologia?
Augusto Ribeiro: Normalmente o aparelho que revela as chapas de radiografia é consertado no fim da tarde e quando é no inicio da manhã eles alegam que o aparelho quebrou de novo.
JM: O que o senhor pode nos dizer sobre a resposta da prefeitura, alegando que não está ciente das denúncias, e que o Sindicato até ontem não havia protocolado nenhum documento em nenhum órgão competente?
Augusto Ribeiro: Os ofícios foram enviados ontem. Mas já houve duas denúncias à Comissão Nacional de Residência Médica que passaram pela Comissão de Residência Médica local.
JM: Se o senhor quiser acrescentar mais alguma observação, fique a vontade e também, por favor, faça suas considerações finais.
Augusto Ribeiro: Como considerações finais, quero dizer que o hospital não está em condições de prestar uma assistência digna aos pacientes, muito menos de ser um espaço para formação de médicos residentes. Se de fato esses médicos assistentes, que tem a função de preceptor para residência médica, de clínica médica do hospital pimentas, saírem em março, ficará inviável a manutenção da residência no local.
A melhor opção para que eles não sejam prejudicados, é que sejam transferidos para outro programa de residência. No mais, é urgente que se restabeleça um corpo clínico suficiente para o atendimento dos pacientes no Pimentas, e de que se restabeleçam os insumos básicos para a manutenção do atendimento.
Os médicos têm o dever ético e o direito de não atuar em condições que eles entendam que não garantam uma condição mínima para realizar seu trabalho de atender a população dentro de padrões éticos e de respeito à integridade individual do paciente, além do respeito às condições e procedimentos médicos estabelecidos pela legislação, bem como dos protocolos de higiene e de prevenção, sobretudo em uma época de pandemia.
*Com informações de Jornal do Monotrilho










































