A cidade de Guarulhos é composta por diversos bairros periféricos e com isto observamos que diversos deles não têm a mesma atenção que os demais e, por isso, acaba sendo um local onde as desigualdades e diferenças de pessoas e áreas acaba sendo explícita, trazendo muitas das vezes uma visão de localidade de pouca serventia.
Infelizmente quando se trata deste assunto, me vem a mente o porquê disto? Em uma de minhas reflexões percebo que primeiramente pode ser que se trata da forma como são vistas. A maneira como somos criados é que o certo é se tornar bom o suficiente para sair do bairro em que moramos e não produtivo para trazer valor ao local que nascemos, pode ser que isso seja um pré-conceito de como a vida deveria ser vivida.
Estou presente em um comércio que para quem passa em frente se trata de um “buteco”, justamente por estar em uma rua de periferia, porém se fosse em uma localização economicamente importante seria visto como um bar de apreço e o proprietário um digno empresário.
Desta forma pretendo trazer hoje minha visão relacionada as pessoas que frequentam locais como este, analiso a diferença da percepção descrita por aqueles que não estão aqui e observo, caso os mesmos estivessem vivenciando as mesmas histórias em suas regiões não suburbanas, haveria condenação sobre essas escolhas? Percebo e questiono isso por ser uma mulher branca e privilegiada, apenas reconheço isso por perceber averiguando as histórias de vida de meus companheiros que muita das vezes não tiveram a mesma importância ou oportunidade que eu.
Antes que me entendam mal eu vos explico, quando se trata por exemplo de problemas com vícios, ou questões psicológicas, diversos dos daqui não recebem atenção daqueles que tem ou tiveram oportunidade de tratamentos, ou então conhecimento em relação a esses assuntos e compreendo que viver é uma questão de escolha mas acredito que só vale apena aprender ou receber um tratamento quando se é para ajudar ao próximo afinal, eu já fui a pessoa que precisava de ajuda.
Além disso apenas trago este tipo de raciocínio pois minhas escolhas errôneas não me trouxeram diferenças em relação a oportunidades de trabalho e os olhares jamais alteram, muito pelo contrario, sou vista como vitoriosa ou inteligente e compreendo que isto veio com minha luta diária porém como expressei anteriormente, tive querendo ou não uma importância como ser humano diferente daqueles que estão aqui presente.
Escutei de um mentor chamado Joel Jota em uma de suas lives, sobre a obrigação da valorização de uma conquista de um filho e como ele falou também, é nosso dever valorizar o mérito de outro ser, mesmo que não seja algo relacionado a mim se eu tiver a postura de admirar a vitória do outro, isso lhe trará esperança e digo com isso que o meu papel é levar esses exemplos de filosofias para aqueles que não buscam para que eles vejam que há pessoas que se importam com o nível de raciocínio deles, o grau filosófico dos mesmos faz sim diferença no mundo. Quando eu aprendo algo diferente e não levo ao outro por fim não aprendi e talvez por esses tipos de posturas, de não querer dar essas aberturas, a periferia torna-se desvalorizada só que isso não significa que nela não há valor.
Lamento que quando se trata de um jovem periférico a aparência seja de um ignorante, viciado, muita das vezes conhecido como fraco e por isso creio que nosso dever é tentar ajuda-los e mesmo que as respostas forem não (e sei que isso é comum de ocorrer) se permita perceber que aprender a lidar com a negação é mérito para um verdadeiro inteligente e não apenas dar ênfase caso seja uma ocasião de um cidadão que pretende ter um diploma até porque muitas das vezes muitos apenas querem receber afeto do próximo e devemos entender isto afinal, quem não quer por fim sentir que tem importância.
Em virtude do que relatei, decidi chamar um jovem para relatar seu pensamento sobre o assunto e foi então que Davi Gomes disse:
“Muito se tem discutido sobre este assunto, os menos favorecidos entre todos eles, na verdade o menos favorecido como importância social é por fim chamado de sociedade periférica até por que diante de vários acontecimentos em um período de 1999 a 2010, foram formadas espécies de sociedades, tais os classe média alta, ou até mesmo média com um determinado padrão de vida, um modo em partes, exclusivo de levar a vida.
Em seguida vimos os chamados “pobres” ou classe baixa, que determinaram a viver cada dia como se fosse único por não ter tantos benefícios em questões básicas de humanidade. Ainda assim temos uma outra classe talvez até tachada como inexistente mas tem seus números em estatísticas que não os permitem ser vistos que são os muito pobres em situação de miséria e moradores de rua, juntando esses dois últimos grupos temos o que é chamado de “favela” hoje já gourmetizado como “períferia” ou “comunidade” e são esses grupos de pessoas desfavorecidas que são esquecidas em termos políticos, econômico e até mesmo humanitários.
Alguns tópicos que são esquecidos em relação aos mesmos são, por exemplo, questões básicas de saneamento que em lugares extremos nem chega a existir, favelas a beira de córregos, pessoas que se sujeitam a residir nessas situações por não ter nenhuma escolha, suscetíveis a desmoronamento devido o ambiente onde foram construídos seus “barracos” (nome dado a sua moradia pelo fato de ser simples a ponto de ser feita com materiais de fácil acessibilidade e até mesmo recicláveis).
Outro ponto importante que engloba bem a parte desse grupo ser esquecido entre os “maiores favorecidos” é onde essas pessoas na tentativa de se manterem e de adquirir uma forma melhor de vida aos seus entes, fazem seus esforços para conseguir trabalho, mas hoje em dia quem da oportunidade para pessoas sem qualificação? Apenas com desejo para conseguir de forma honesta o seu “pão de cada dia” entra em pauta e até se tornando uma espécie de descriminação, é o fato de que, por não possuírem um emprego e se sujeitar a um modo de vida precário muitos acabam se entregando a vida criminal, fazendo com o que os maus olhares e críticas criem a seguinte frase: “ todo favelado é bandido”.
Pensam assim por acharem ser um determinado padrão que as pessoas com cor específica, um lugar específico de onde veio, forma de vestimenta, expressões faciais e fala (gírias e palavrões) vão acabar se envolvendo em atos fora da lei. Essas criam essa determinada imagem de pessoas que apenas por morarem numa favela ja os fazem se encaixar nesse padrão. Um padrão inexistente pois existem famílias de bem nesse meio, até mesmo famílias de pessoas fora da lei também são pois a escolha de um não deveria afetar a todos cada um tem seu próprio pensamento.”
Em vista dos argumentos apresentados, mostro a vocês a ortografia do cidadão que, pelo fato de onde mora, como se veste, aonde frequenta, é visto como ignorante, porém mesmo que não esteja perfeita, podemos ver que não se trata de só mais um, como disse o mesmo, “favelado”.
Autora: Bruna Avila










































