“Há mais de uma semana ele não trabalhava. Na última vez que nos encontramos, ele me disse que não estava conseguindo dormir, nem se alimentar direito”. A fala é da aposentada Francisca Argentina de Sousa Araújo que relata a última conversa com o filho antes do seu desaparecimento, no dia 22 de junho de 2019.
O sumiço de Francisco Domingues de Souza, dono de um bar na cidade de Guarulhos, engrossou a marca registrada na Grande SP de 23 desaparecidos por dia, no primeiro semestre deste ano.
Conhecido como “Chicão” pelos amigos e frequentadores do estabelecimento, Francisco trabalhava junto com a esposa Terezinha Alves Rodrigues, com quem é casado há 14 anos e tem uma filha de 11.
“Todos gostavam dele. Ele era uma ótima pessoa, muito trabalhador. Não se envolvia com coisa errada”, explicou a mãe. São quase dois meses sem nada além de boatos e mensagens sobre o paradeiro do filho.
Sumiço no ano passado
De acordo com a esposa, era comum que Francisco andasse para destinos aleatórios quando bebia. Ela acredita que algo semelhante aconteceu em junho deste ano, afirmando que seu marido foi visto pela última vez na companhia de um senhor em bares de uma comunidade próxima.
Ainda segundo a esposa, em 2018, o empresário andou sem rumo de sua casa até a cidade de Mogi Mirim, depois de ingerir bebidas alcóolicas. Ele retornou um dia depois da caminhada. “Voltou sem estar falando coisa com coisa” contou a mãe.
‘Me falava que iam matar ele’
Um dia antes de desaparecer, Francisco conversou com a mãe, reclamando da dificuldade para dormir e comer. A mãe afirma que o achou deprimido, mesma impressão da esposa, que relatou desabafos ainda mais graves do marido “apontava para o pescoço e falava que iam matar ele”. Tereza não sabe se as ameaças eram reais ou somente da imaginação do companheiro.
“No dia que ele sumiu nós fechamos o bar juntos e fomos para casa. Ele deitou, e depois de mais ou menos uma hora acordou falando que estava muito agoniado. Que iria andar um pouco e logo voltaria. Desse dia pra cá não voltou mais” disse, ao relembrar os últimos momentos com o marido.
A companheira também contou que recebeu mensagens afirmando que o corpo de seu marido já estaria decomposto, em uma área aberta na comunidade onde Francisco teria sido visto pela última vez. Ela seguiu a pista, mas ainda não achou o marido: “É muito difícil achar uma pessoa nesse matagal, mas sempre estamos indo para lá”.
Fonte: R7









































